Disktour Teatro e Shows

A Noviça Rebelde - Musical

Se fosse possível assistir a tudo que está acontecendo hoje na área de teatro e musicais, tenho certeza que todos o fariam. Alguns espetáculos são possíveis. Este é o caso desta apresentação musical.

Um espetáculo cuja história marca o século XX, com controvérsias ou não.

A nova montagem do clássico “A Noviça Rebelde”, baseado no livro de memórias The Story of the Trapp Family Singers, escrito por Maria von Trapp, chega à São Paulo, no Teatro Renault, […]

Considerado um clássico das telas e dos palcos, “A Noviça Rebelde”, que retorna ao Brasil após 10 anos da primeira estreia. Montado inicialmente na Broadwey transformou-se em filme no ano de 1965. Estrelado por Julie Andrews e Christopher Plummer foi um sucesso de bilheteria. O filme “A Noviça Rebelde” ganhou o Oscar de 1966 e faturou, “só nos Estados Unidos, quase 1 bilhão de dólares (em moeda atual)”. O filme foi rodado na primeira metade do ano de 1964 em Salzburgo na Áustria e na Baviera na Alemanha. Volta agora em um grande espetáculo.

No dia 19 estaremos lá para conferir. Últimos lugares.

Para saber mais sobre a história desses acontecimentos e comentários, ver www.rioclaroturismo.com.br, menu informações Disk Tour Teatro/musicais.

SOBRE O FILME

A produção hollywoodiana “The Sound Of Music”, A Noviça Rebelde, optou por uma versão ligeiramente modificada, ou seja, romantizada da vida dos Von Trapp. É uns dos musicais mais prestigiados da Broadway. Seu sucesso permanece mesmo após mais de 50 anos da sua estreia, conquistando novas gerações que se encantam com a paixão entre a jovem noviça e o capitão viúvo. Com o sucesso do filme e das apresentações, mais e mais pessoas ficam curiosas em conhecer mais sobre essa história, tenha ou não uma nova versão.

Localizamos um artigo do Jornal Opção, edição n. 1882 de 2011, escrito por Euler de França Belém intitulado, A verdadeira história da “noviça rebelde” da Áustria, que merece ser lido.

O filme “A Noviça Rebelde”, de 1965, com os atores Julie Andrews e Christopher Plummer, foi um sucesso de bilheteria. A história foi baseada em fatos reais, revela excelente reportagem da revista “Leituras da História” que está nas bancas. O capitão da Marinha austro-húngara Georg Ludwig Ritter von Trapp e a noviça Maria Augusta Kutscher, 26 anos mais nova, realmente existiram. Ao contrário do que dizia John Ford, de que a lenda quase sempre é superior aos fatos, a história de Von Trapp, sobretudo, e de Maria é muito mais viva do que o filme.

Na Primeira Guerra Mundial, aliado da Alemanha, o austríaco Von Trapp, no comando do submarino U-5, ficou famoso por atingir navios adversários. Em 1915, torpedeou o couraçado francês Léon Gambetta e, dos 821 homens a bordo, apenas 137 sobreviveram. Logo depois, em agosto do mesmo ano, atingiu um submarino italiano, o Nereide, e seus 20 homens morreram. No mesmo mês, destroçou o cargueiro grego Cefalonia. Antes, com um megafone, disse aos tripulantes para descerem os botes e saírem. E orientou-os sobre como chegar à costa. No final da guerra, visto como uma lenda, havia torpedeado onze navios mercantes de quatro nacionalidades, “além”, conta a revista, “das vitórias sobre o cruzador francês Gambetta e o submarino italiano Nereide, e a captura de um outro cargueiro civil”.

Derrotada ao lado da Alemanha, a Áustria perdeu territórios. Von Trapp, mesmo sem emprego, era um homem rico. Sua mulher, Agathe, herdara a fortuna de Robert Whitehead, seu avô, o inventor do torpedo.

Agathe morreu aos 32 anos, em 1922, de escarlatina. Quatro anos depois, Von Trapp contratou a noviça Maria Augusta Kutscher (do monastério beneditino de Nonnberg), de 21 anos, para cuidar de seus sete filhos. Em 1927, os dois se casaram e tiveram três filhos, que não citados no filme.

A família Trapp criou um coral como hobby. Em 1935, ao ajudar um amigo banqueiro, Auguste Lammer, o capitão quebrou. Deprimido, o militar foi socorrido por Maria, que decidiu explorar o potencial vocal da família, com o apoio do padre Franz Mathias Wasner. Maria deu a ideia de criarem “uma corporação musical de tipo familiar”. Fizeram sucesso e reorganizaram a vida. Em 1936, a Kriegsmarine, a Marinha do Reich nazista, convidou-o para integrar as forças armadas. Aos 56 anos, optou pela mulher, de 31 anos, e pelos nove filhos (tiveram outro mais tarde). Assistiu um comício de Adolf Hitler, austríaco como ele, e não gostou da encenação.

Em 1938, devido ao Anschlus (anexação da Áustria pela Alemanha), a família Trapp partiu para os Estados Unidos. Em seguida foi para a Suécia e voltou, rapidamente, a Salzburg. Como os nazistas haviam ocupado sua mansão, voltaram à Escandinávia. Em 1939, com a Polônia invadida pelos alemães, os Trapp radicaram-se em Stowe, no Estado de Vermont (EUA). Adquiriram uma fazenda e construíram uma casa, que batizaram de “Cor Unum” (“Um Coração”).

Em 1947, “criaram uma fundação de ajuda financeira e material à população empobrecida” da Áustria. Von Trapp morreu, de câncer no pulmão, naquele ano.

Em 1949, Maria von Trapp escreveu suas memórias, “A História dos Cantores da Família Trapp”. Ela morreu em 1987.

O filme “A Noviça Rebelde” ganhou o Oscar de 1966 e faturou, “só nos Estados Unidos, quase 1 bilhão de dólares (em moeda atual)”. “Como Maria von Trapp havia vendido os direitos de filmagem por apenas 10 mil dólares, sua família nunca pôde se beneficiar desse enorme êxito comercial”, diz a revista. A história foi levada ao cinema primeiro na Alemanha, em 1956, com o título de “A Família Trapp”. Ganhou uma continuação, em 1958, com o título de “A Família Trapp na América”.

Filme difere um pouco da realidade

Rodado durante a primeira metade de 1964 em locações em Salzburgo, na Áustria, e na região alemã da Baviera, a produção hollywoodiana “The Sound Of Music” [“A Noviça Rebelde”] optou por apresentar uma versão ligeiramente modificada [romantizada] da vida dos Von Trapp.

Eis as principais diferenças:

A Baronesa — No filme, Maria — papel da atriz inglesa Julie Andrews —, precisa disputar o amor do capitão Von Trapp com a antipática baronesa Elsa Schraeder — vivida pela americana Eleanor Parker —, personagem de quem a meninada von Trapp não gosta;

Os filhos — O filme omite os nascimentos de Rosmarie e Eleanor [e do terceiro filho do casal], as duas filhas de Georg e Maria, que aconteceram antes de o casal abandonar a Áustria, em 1938;

A perseguição — O filme reproduz o interesse real dos nazistas em ter o capitão Von Trapp, especialista em guerra submarina, como um dos oficiais de sua Marinha, mas inventa o episódio da perseguição da Gestapo (polícia política do nazismo) aos Von Trapp;

A fuga a pé, pelas montanhas — Os von Trapp emigraram de forma muito mais confortável do que aparece no filme (cruzando a pé as montanhas que separam o Reich do território suíço). Eles foram de trem até a Itália, e de lá embarcaram em um transatlântico com destino aos Estados Unidos. (Texto extraído da revista “Leituras da História”).

AINDA SOBRE A NOVIÇA REBELDE

Em artigo publicado em 08 de outubro de 2014 a especialista em estudos cinematográficos, formada em Letras e Design, Carla Marinho, fundadora do site Cinema Clássico, publicou artigo de pesquisa intitulado “A Família Que Inspirou Filme A Noviça Rebelde” (01)

Publicou fotos e contou a estória que acabou se tornando a peça e o filme.

Como já foi muitas vezes contada, aquela que se tornou a personagem principal, Maria Von Trapp, nasceu na Áutria em 26 de janeiro de 1905. Como em todos os momentos do desenvolvimento capitalista que se sucederam, o início do século foi um tempo muito conturbado. A Revolução Russa de 1905 a 1907 foi um prenúncio da Revolução que ocorreria em 1917. A disputa entre os países imperialistas se desenhavam e a Primeira Guerra Mundial já se desenhava. “O primeiro período de globalização contemporânea ocorreu entre 1860 e 1914.A Inglaterra foi o país hegemônico, e a segunda revolução industrial e o colonialismo foram suas características principais. A ele se seguiu um período de mais acentuada rivalidade entre nações centrais de que resultaram duas guerras mundiais em que morreram 78 milhões de pessoas.” (02).

Nesse ambiente, Maria Von Trapp órfã que era, foi criada por um tio que era ateu. Conta a autora que um dia foi a uma igreja, amou o concerto de Bach, amou o sermão do padre e decidiu ser freita, entrando em um convento católico em Salzburg. Nossa estória praticamente começa quando ainda noviça, foi ser governanta dos sete filhos do Capitão George Ritter Von Trapp, de onde nasceu uma paixão entre o capital e ela, que acabou posteriormente em casamento. Dessa relação nasceram três filhos que não citados no filme.

A história foi baseada em fatos reais. Como divulgado anteriormente, o capitão da Marinha austro-húngara Georg Ludwig Ritter von Trapp e a noviça Maria Augusta Kutscher, 26 anos mais nova, realmente existiram. O Capitão estava no centro dos mais intensos eventos da época. Como membro das forças da Tríplice Aliança, formada desde 1882, na ocasião da “Primeira Guerra Mundial, aliado da Alemanha, o austríaco Von Trapp, no comando do submarino U-5, ficou famoso por atingir navios adversários. Em 1915, torpedeou o couraçado francês Léon Gambetta e, dos 821 homens a bordo, apenas 137 sobreviveram. Logo depois, em agosto do mesmo ano, atingiu um submarino italiano, o Nereide, e seus 20 homens morreram. No mesmo mês, destroçou o cargueiro grego Cefalonia. Antes, com um megafone, disse aos tripulantes para descerem os botes e saírem. E orientou-os sobre como chegar à costa. No final da guerra, visto como uma lenda, havia torpedeado onze navios mercantes de quatro nacionalidades, “além”, conta a revista, “das vitórias sobre o cruzador francês Gambetta e o submarino italiano Nereide, e a captura de um outro cargueiro civil”, (03) conforme informa a Revista

Após a derrota da Alemanha, e mesmo a Áutria perdendo territórios, Von Trapp era um homem rico, casado com Agathe, herdeira da fortuna de Robert Whitehead, seu avô. O destino fez com que a história mudasse toda a trajetória do Capitão. Agathe morreu aos 32 anos em 1922 de escarlatina. Quatro anos depois veio a contratação da noviça Maria Augusta Kutscher do monastério beneditino de Nonnberg. Na época tinha 21 anos.

Foto do artigo de Carla Marinho, citado no início.

Junta-se à questão da Guerra, a crise do capitalismo de 1929, influenciou a vida do casal. Arruinados, tiveram que refazer a vida. “Em 1935, ao ajudar um amigo banqueiro, Auguste Lammer, o capitão quebrou. Deprimido, o militar foi socorrido por Maria, que decidiu explorar o potencial vocal da família, com o apoio do padre Franz Mathias Wasner. O que era um hoby passou a ser, com ideia de Maria “uma corporação musical de tipo familiar”.

Em 1936, o Capitão ainda chegou a ser convidado pela Marinha do Reich nazista para integrar as forças armadas. Ao assistir um pronunciamento de Adolf Hitler, resolveu optar pela família. Em 1938, com a anexação da Áustria pela Alemanha, fugiu com a família para os Estados Unidos. “Em seguida foi para a Suécia e voltou, rapidamente, a Salzburg. Como os nazistas haviam ocupado sua mansão, voltaram à Escandinávia. Em 1939, com a Polônia invadida pelos alemães, os Trapp radicaram-se em Stowe, no Estado de Vermont (EUA). Adquiriram uma fazenda e construíram uma casa, que batizaram de “Cor Unum” (“Um Coração”) (04).

A primeira apresentação foi em um festival, e após isso a família começou a viajar pelo país, fugindo em 1938 dos nazistas, por George não aderir ao novo regime. Após isso, sucesso na América onde montaram uma Escola de música.

Em 1947, “criaram uma fundação de ajuda financeira e material à população empobrecida” da Áustria. Von Trapp morreu, de câncer no pulmão, naquele ano.

Em 1949, Maria von Trapp escreveu suas memórias, “A História dos Cantores da Família Trapp”. Ela morreu em 1987.

Notas

(01) Marinho, Carla. “A Família Que Inspirou Filme A Noviça Rebelde”. Disponível em https://cinemaclassico.com/curiosidades/verdadeira-familia-von-trapp

(02) Santos, Boaventura de Sousa. “Esquerdas do Mundo, Uni-vos!”. São Paulo, Ed. Boitempo, 2018.

(03) Belém, Euler de França. “A verdadeira história da “noviça rebelde” da Áustria”, Jornal Opção, edição n. 1882 de 2011.

(04) Ibid, citado acima.

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